
A Câmara Municipal de Governador Valadares aprovou, nesta quinta-feira,14, a cassação do mandato do prefeito Coronel Sandro, em uma das sessões mais longas e tensas da história recente do Legislativo municipal. O impeachment foi aprovado por 18 votos favoráveis e apenas três contrários.
A decisão ocorreu após análise de denúncias relacionadas a supostas irregularidades na contratação do transporte escolar do município. Os vereadores entenderam que o prefeito cometeu infrações político-administrativas previstas na legislação.
Entre os pontos analisados pelos parlamentares estavam a contratação considerada inadequada do serviço de transporte escolar, possíveis falhas de planejamento e indícios de sobrepreço no processo licitatório, além de suposta omissão em relação à gestão de bens de interesse público e atos considerados incompatíveis com o decoro do cargo.
Dos 21 vereadores da Câmara, 18 votaram pela cassação, número superior aos 14 votos necessários para aprovação do impeachment. Apenas os vereadores Ademar do Turmalina (MDB), Jepherson Madureira (Republicanos) e Ulysses Gomes (Republicanos) votaram contra o afastamento.
A sessão de julgamento durou mais de 12 horas e chegou a ser interrompida por um apagão causado por falta de energia elétrica. Mesmo com o problema, os parlamentares decidiram manter os trabalhos e continuaram a leitura do relatório da comissão processante – documento com mais de 200 páginas – utilizando lanternas e iluminação improvisada.
Posteriormente, a energia foi restabelecida após a Câmara utilizar um gerador. A Polícia Civil foi acionada para investigar as causas da interrupção, já que parlamentares levantaram suspeitas sobre possível interferência externa.
Com a cassação, assume imediatamente o comando da prefeitura o vice-prefeito Bonifácio Mourão, político experiente que já administrou Governador Valadares em dois mandatos anteriores, entre 1997 e 2001 e entre 2005 e 2009.
Coronel Sandro deixa o cargo menos de um ano e meio após assumir a prefeitura pela primeira vez. Antes de chegar ao Executivo municipal, ele exercia mandato como deputado estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
A defesa do prefeito informou que aguarda julgamento de uma medida no Tribunal de Justiça relacionada ao relatório da comissão processante e estuda possíveis novos recursos contra atos ocorridos durante a sessão de cassação. Segundo os advogados, houve questionamentos sobre a participação do presidente da Câmara na votação, o que poderá ser levado à Justiça. ( Foto: Guilherme Bergamini)



