Moradores, comerciantes residentes e estabelecidos nas imediações da Rua Capitão Paiva, em Caratinga, encontram-se muito revoltados com a situação daquela via pública, que lhes tem causado enormes transtornos desde que a pavimentação asfáltica da via foi aberta para realização de obras da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).
Há mais de três meses, na execução de obras, a Copasa cortou o asfalto da Praça da Conceição e da Rua Capitão Paiva, uma das vias mais movimentadas da cidade, acesso para o Complexo do Santa Cruz, região mais populosa de Caratinga, ao Bairro Esperança e aos Bairro Santo Antônio.
Terminada a obra, que causou transtornos compreensíveis durante sua execução, não foi feita a recuperação da pavimentação asfáltica, sendo apenas cobertos com terra as valetas e buracos abertos, situação que perdura por mais de dois meses, gerando problemas aos moradores da rua e adjacências, aos comerciantes estabelecidos no local e, também, a condutores de veículos que são obrigados a passar por aquela via.
A área afetada pelas aberturas ao piso da rua é de aproximadamente 400 metros de extensão, indo da Praça da Conceição até o entroncamento com a Rua Coronel Antônio Saturnino – Rua da Cadeia – e a circulação de veículos, que é intensa, acaba provocando constante poeira, obrigando aos moradores e proprietários de estabelecimento comercial a aguaram a rua em várias vezes durante o dia. Mesmo com tal medida, que por si só já prejudicam moradores e comerciantes diante do aumento do consumo de água, torna-se impossível impedir os efeitos da poeira.
Aos moradores, a poeira gera problemas de saúde para idosos, crianças e pessoas com problemas alérgicos, além da sujeira que produz às residências e afetando até mesmo a secagem de roupas nos varais.
Comércio
Por sua vez, os comerciantes que trabalham com produtos alimentícios de consumo local, como são os casos dos bares, restaurantes e lanchonetes, devido à poeira, que afeta a higiene do local e dos produtos, acabam sofrendo prejuízos financeiros diante da perda de clientes. O mesmo acontece com a grande padaria instalada na Capitão Paiva, que também comercializa alimentos.

Lojas de confecções também sofrem com a poeira, pois, ela acaba sujando as roupas expostas e, além de dificultar a venda da mercadoria, obriga os proprietários das lojas a se virem obrigados a recorrer a serviço de lavanderia para manter as confecções limpas e em condições de serem comercializadas.
Veículos
Os cortes no piso da rua deixados apenas com aterramento têm prejudicado, ainda, a motoristas e motociclistas. Devido aos ressaltos entre a parte sem asfalto e a parte asfaltada acaba obrigando a desvios ou ao enfrentamento de ressaltos que, acabam danificando os veículos.

Uma das aberturas geradas pelas obras da Copasa corta a rua no sentido transversal, indo de uma calçada à outra, criando um quebra-molas côncavo. O trecho acaba danificando os carros, que batem o fundo com o asfalto. Há poucos dias, foi colocado saibro na extensão do corte transversal, para minimizar o problema, mas, pouco a pouco o material vai sendo retirado pelo passar dos carros, servindo apenas para aumentar a poeira e, tão logo cheguem as primeiras chuvas, voltará ao estado anterior.
Perguntas sem respostas
Diante das muitas reclamações encaminhadas por moradores e comerciantes da Rua Capitão Paiva, o jornal A Semana encaminhou alguns questionamentos à Prefeitura de Caratinga para ter mais detalhes da situação e saber quando o problema seria solucionado, porém, até o fechamento da edição 1464 edição de domingo, as respostas não haviam chegado.
Foi perguntado à administração municipal a quem caberá promover a reconstituição da pavimentação asfáltica do trecho da Rua Capitão Paiva e Praça da Conceição atingido pelas obras da Copasa, sendo questionado, ainda, qual o prazo para que a recuperação do piso seja realizada.
Outro questionamento feito por A Semana foi sobre quem arcará com os custos relativos ao serviço de reconstituição do piso danificado pelas obras. É importante ressaltar que a praça e a rua foram beneficiadas pelas recentes obras de recapeamento asfáltico realizado por uma empresa contratada pelo governo municipal, serviço para o qual a Prefeitura de Caratinga contraiu um empréstimo no valor de R$ 12 milhões.
Uma dúvida que o jornal quis sanar com o governo é se será promovido apenas o remendo do local em que a pavimentação foi cortada ou se será feito o recapeamento asfáltico em todo o trecho afetado. Pela omissão da Prefeitura, a dúvida permanece.
A verdade é que, independentemente do que venha a ser feito, a situação demonstra a falta de planejamento tanto da Copasa quando do governo municipal. Ainda em 2019, antes de serem iniciadas as obras de recapeamento asfáltico das ruas de Caratinga, A Semana publicou uma matéria, na qual propôs uma reunião entre a gerência local da Copasa, a Secretaria de Obras e o responsável da empresa que realizou o asfaltamento, para adequar os cronogramas de obras, com o propósito de que uma rua só fosse recapeada depois que a concessionária tivesse feito todo o serviço no local, evitando desperdício de dinheiro público.



