
Minas ocupa o segundo lugar no ranking de casos de suicídio no Brasil
Segundo o DataSUS, plataforma do governo federal que concentra informações sobre a saúde no Brasil, Minas Gerais ocupa o segundo lugar no ranking dos estados com maior número de ocorrências de suicídio, perdendo apenas para São Paulo. Em menos de 10 anos os casos registrados aumentaram em 35% nas cidades mineiras, totalizando 12.667 óbitos por lesão autoprovocada.
O suicídio é a segunda maior causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos. Esse é um tema complexo, multifatorial e que ainda é cercado por tabus da sociedade o que compromete a procura por ajuda. De acordo com especialistas falar sobre a morte no Brasil é uma barreira cultural, assim como o estigma quanto o adoecimento psíquico e os transtornos mentais.
O Jornal A Semana entrevistou a psicóloga Karlita Maria Berto Corrêia sobre a importância da campanha Setembro Amarelo, como identificar comportamentos que podem indicar cuidados quanto a saúde mental e os possíveis impactos da pandemia.

JORNAL A SEMANA: A saúde emocional tem se tornado um tema relevante quando falamos sobre qualidade de vida. O que mudou nos últimos anos para que a sociedade comece a se mobilizar, inclusive com campanhas?
KARLITA CORRÊIA – Com os anos de prática clínica como Psicóloga, tenho percebido cada vez mais que as pessoas estão se colocando ou sendo colocadas em “pressão” por produzir mais no trabalho, nos afazeres domésticos, criação de filhos, amizades, relacionamentos amorosos, entre outros. Com isso, gerando culpa quando não consegue ou a cobrança dos outros, prejudicando assim sua produtividade e portanto, obtendo prejuízos nas atividades de vida diária. Esse adoecimento coletivo preocupa os órgãos públicos pois os impactos e prejuízos físicos e emocionais são incalculáveis diante de uma família, setor ou comunidade doente. A conscientização em massa através das campanhas de prevenção é fundamental para alertar as pessoas principalmente sobre as doenças mentais que são tão silenciosas.
JORNAL A SEMANA: Qual é o objetivo da mobilização da área de saúde com o Setembro Amarelo?
KARLITA CORRÊIA – Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgam e conquistam parceiros no Brasil inteiro para realização de campanhas para prevenção ao suicídio devido aos números alarmantes de casos no mundo inteiro. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019 foram registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar com os episódios subnotificados, pois com isso, estima-se mais de um milhão de casos. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia.
De acordo com esses dados, disponíveis no site oficial da campanha Setembro Amarelo, é notório que é preciso intensificar mais e mais as campanhas. O sofrimento mental das pessoas que cometem suicídio é gigante, a pessoa que tira a sua própria vida ela pode não ter o desejo de morrer e sim acabar com aquele sofrimento (pensamentos negativos) que cria um ciclo vicioso em sua mente, não conseguindo por si só desfazê-lo. Se tornando assim o maior objetivo de divulgar não só os dados mais também as formas de tratamento, que estão disponíveis no Sistema Único de Saúde de todos os municípios do país.
JORNAL A SEMANA: Como a pandemia contribuiu para o avanço das doenças psicossociais?
KARLITA CORRÊIA – O medo aumenta os níveis de ansiedade e estresse em indivíduos saudáveis e intensifica os sintomas daqueles com transtornos psiquiátricos pré-existentes. Durante as epidemias, o número de pessoas cuja saúde mental é afetada tende a ser maior que o número de pessoas afetadas pela infecção. Podendo ser devido a mudanças nas rotinas de trabalho e isolamento, levando a sentimentos de desamparo e abandono. Ainda não existem dados epidemiológicos precisos sobre as implicações psiquiátricas relacionadas à doença ou seu impacto na saúde pública. Com o cenário da Pandemia, os sintomas emocionais podem evoluir para transtornos, sejam depressivos, ansiedade (incluindo ataques de pânico e estresse pós-traumático), psicóticos ou paranoides, e podem até levar ao suicídio.
JORNAL A SEMANA: Quais são os principais sintomas para compreender a necessidade de procurar ajuda profissional?
KARLITA CORRÊIA – Alguns sintomas comuns que aparecem nos quadros de depressão são:
Mudança brusca de humor;
Dores de cabeça e ou corpo;
Problemas digestivos;
Esgotamento ou falta de energia;
Lapsos de memória;
Irritabilidade;
Isolamento.
JORNAL A SEMANA: Qual a principal barreira que impede as pessoas de procurem ajuda profissional?
KARLITA CORRÊIA – No meu ponto de vista, quando pensamos em prevenção na saúde mental, é desafiador por ser uma doença silenciosa. Quando temos problemas físicos e fazemos exames rapidamente sabemos o que temos, já os sintomas emocionais são de grande parte abstrata, dificultando o diagnóstico pois, a pessoa leva muito tempo para entender que aquela forma de viver/ enxergar as coisas não está correto e que ela está doente. Ainda temos como entrave as barreiras do preconceito de muitos acharem ainda nos dias de hoje que Depressão é “frescura”.



