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Café: Previsões oficiais contrastam com a realidade no campo

Próximo ao início do período da colheira da safra de café deste ano, o setor cafeeiro vive uma instabilidade entre as previsões oficiais, feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que já preveem uma queda na produção deste ano em comparação à safra passada, e as avaliações de técnicos de campo e produtores, que apontam para uma queda bem maior. Enquanto a redução indica a possibilidade de altos preços para os produtores, para o consumidor, ela irá resultar no aumento de preços nas gôndolas dos supermercados.

Estimativas
Historicamente, nas estimativas quanto à produção de café no Brasil sempre ocorrem divergências e os números apresentados por elas, em grande parte das vezes, acabam se mostrando otimistas ou pessimistas.

De acordo com a estimativa da produção dos Cafés do Brasil, que inclui o café arábica e o conilon, o ano-cafeeiro 2025 deverá atingir volume físico de 51,81 milhões de sacas de 60kg. Deste total, a Região Sudeste será responsável por 86,72%, com a Região Nordeste respondendo por 6,58%, a Região Norte por 4,34%, a Região Sul por 1,3% e a Região Centro-Oeste por aproximadamente 1%.

A estimativa da safra dos Cafés do Brasil prevê uma queda na produção de café para este ano de 4,4% em comparação à safra efetivamente colhida em 2024, que foi de 54,21 milhões de sacas de 60kg.
Com relação ao café arábica, se a estimativa for confirmada ao final da safra, esta variedade de café representará aproximadamente 66,94% do total da safra de 2025. Entretanto, vale ressaltar que este volume mostrará uma expressiva redução na produção de 12,4% em relação a 2024.

A produção total estimada para 2025 na Região Sudeste deverá atingir a soma muito expressiva de 44,93 milhões de sacas. Porém, apesar deste número mostrar uma elogiável performance, ainda que esta previsão venha a ser confirmada a produção apresentará uma queda próxima de 6% em relação ao ano anterior, que foi de 47,75 milhões de sacas.

É importante registrar que as projeções otimistas do IBGE e da Conab acabam criando uma falsa expectativa de maior oferta do produto e, com isso, acabam provocando a queda no preço do café, o que resulta em menor lucro ou até prejuízo para os produtores que, com a baixa produção acabam colhendo um mal resultado financeiro.

Anomalias climáticas
Principal fator que influencia no resultado de uma safra, desde 2021 o clima vem conspirando em favor da queda da produção de cafés no Brasil, como ocorreu no ano passado, quando a região Sudeste, responsável por mais de 80% da produção de café no país, enfrentou o mais longo período de seca dos últimos 20 anos, aliado a temperaturas mais altas.

Mesmo as previsões otimistas apontam queda na produção de café

Esses fatores que atingiu principalmente Minas Gerais, estado responsável por metade da produção de café no Brasil, quando faltaram chuvas no período da primeira florada, influenciou negativamente na safra deste ano. Muito contribuiu para o desequilíbrio climático que prejudicou a produção, as chuvas bem acima da média ocorrida no final de outubro, que se estendeu até janeiro.

Caratinga
Em Caratinga e nos demais municípios vizinhos, de acordo com técnicos, produtores e compradores de café da região, essas anomalias climáticas deverão resultar em uma acentuada queda na produtividade das lavouras cafeeiras, que podem variar entre 40 e 50%.

Com isso, se por um lado a redução na oferta do produto possibilitará o aumento no preço da saca de café, o que parece uma boa notícia para os produtores, a queda de produtividade dos cafezais o deixará com menos produto a ser comercializado. Tal situação tem criado uma enorme expectativa aos cafeicultores, que precisam saber como agir diante da incerteza que acontece neste período que antecede a colheita.

Estratégia
Especialistas do setor destacam que o café é um dos produtos de maior volatilidade na bolsa, sujeito a intensos movimentos especulativos. Assim sendo, aconselham os produtores a adotarem uma estratégia de comercialização mais equilibrada, evitando venderem a produção de suas lavouras em uma única vez, optando por comercializar seu café de forma fracionada, para aproveitar as cotações mais favoráveis à obtenção de um lucro maior.

Para o consumidor
No ano passado, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o preço do café vendido nos supermercados teve aumento de 40%. Segundo os especialistas, a tendência é que os preços do café vendido ao consumidor deverão se manter em alta nos primeiros meses deste ano. Um dos motivos para isso é a perspectiva de queda na produção de café e no aumento na demanda.
A previsão de aumento no preço do café moído não se trata de mera especulação. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), já nos primeiros meses deste ano deve haver mais reajustes nos preços, em torno de 10% a 15%.

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