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Praça: a Cinderela voltou a ser a Gata Borralheira

Como divulgado pelo jornal A Semana, no ano passado, a Praça Cesário Alvim, que ficou radiante, bonita, totalmente iluminada e decorada durante o período do natal, ao elevado custo de R$ 750 mil, imediatamente após as comemorações natalinas, voltou a se apresentar feia, suja, desarrumada, escura e mostrar todos os diversos problemas resultantes do descaso da administração municipal, na mais completa degradação. De orgulho dos caratinguenses e principal cartão postal da cidade, ela se tornou a nossa maior vergonha.

Há duas décadas, a Praça Cesário Alvim era local de encontro de amigos para um bom bate-papo, de passeio para as famílias, que levavam suas crianças para correrem e brincarem pela carinhosamente chamada “Praça das Palmeiras”. Mas, desde então, a praça cujo coreto é um projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, um dos maiores arquitetos do mundo, foi largada ao completo abandono pelos governos que se sucederam, se tornando em um ambiente desaconselhável para crianças e pessoas de bem.

Além dos danos materiais sofridos pela Cesário Alvim, nas duas últimas décadas, a praça se tornou local para consumo de bebidas alcoólicas, uso e venda de drogas e ponto de encontro para a prostituição.

A degradação
Nos últimos 20 anos, sempre atendendo a pedidos e muitas reclamações dos leitores, o jornal A Semana publicou inúmeras matérias, além de notas na coluna “Zé Caratinga”, mostrando a contínua degradação que a Praça Cesário Alvim vinha sofrendo, cobrando do governo municipal reparos nos danos sofridos e a sua revitalização, porém, os prefeitos não tomaram qualquer atitude neste sentido, permitindo que a situação continuasse a se agravar.

Durante seu mandato, o ex-prefeito Marco Antônio Junqueira, usando recursos provenientes do ICMS Cultural, realizou uma demorada obra para revitalizar o Coreto Ronaldo Oliveira da Silva, Araújo (Ronaldinho Calazans), com gastos superiores a R$ 100 mil, que incluiu a colocação de vidros em todos os vãos do coreto, algo inédito no mundo, que virou motivo de piadas e chacotas. Porém, se o coreto recebeu melhorias, o restante da praça continuou sem melhorias ou, mesmo, serviços de reparo e manutenção, continuando a se degradar.

Danos
Um dos preocupantes problemas enfrentados pela praça é a precariedade de seu sistema de iluminação, que não oferece claridade ideal durante o período noturno e, com isso, produz uma questão de insegurança às pessoas que passam pela praça e suas imediações, diante do risco de serem assediadas ou, até mesmo, se tornarem vítimas de roubo cometido por infratores, andarilhos ou por consumidores de álcool e drogas que costumam se instalar naquele local.

Os vários bancos danificados se tornam impróprios para se sentar

Outra situação contrastante em relação a anos atrás é o atual estado dos canteiros. No passado, os canteiros eram sempre bem cuidados, por pessoa com conhecimento de jardinagem, que os mantinham sempre bem cuidados e regados, com plantas e flores ornamentais perfeitas.

Bancos, canteiros e piso, tudo completamente abandonados

Naquela época, diante da beleza dos canteiros, era comum pessoas que estavam de visita à familiares os usarem como fundo para fotos. Hoje, com canteiros mal cuidados, sem manutenção e sem flores, isso não acontece mais.
Outas estruturas da Praça Cesário Alvim que retratam a deterioração causada ao local são os bancos de madeira. Vários deles possuem algum tipo de dano e, assim sendo, eles os tornam impróprios para serem utilizados pelas pessoas que ainda frequentam o local.

A Cesário Alvim, anteriormente, tinha seu contorno usado pelas pessoas para fazerem suas caminhadas. No entanto, gradativamente, o piso foi cedendo, formando rachaduras e buracos, alguns de grandes proporções, tornando impossível ou irrecomendável a atividade física ali devido aos riscos de quedas e torções de joelho ou tornozelo.

O afundamento do piso e o surgimento de buracos não se limitaram ao redor da praça, mas, ocorreu em toda a praça. Com o desnivelamento, sempre que ocorrem chuvas mais intensas e constantes, são formados alagamentos de grandes proporções, verdadeiras piscinas, que tornam inviáveis às pessoas cruzarem a praça sem molhar os pés e calçados. O piso apresenta também enormes buracos em dezenas de lugares devido a retirada das pedras portuguesas que revestem o local.

Buraco, entulho, poça d’água e mato formam o belo cenário próximo à Catedral

Projeto de recuperação
Como publicado em dezembro do ano passado por A Semana, de acordo com informações extraoficiais, por iniciativa do governo municipal foi elaborado um projeto para a realização de obras de revitalização da praça, sendo publicado um edital para a realização de um processo de licitação visando a contratação de empresa para a execução das obras necessárias.

Para o serviço foi estabelecido o valor de R$ 500 mil, mas, nenhuma empresa se apresentou para participar da licitação, provavelmente pelo valor ser considerado baixo e pela exigência de ser uma empresa especializada nesse tipo de obra, tendo em vista a Praça Cesário Alvim ser tombado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Compac) e, por isso, ser necessário manter seu estado original, sem qualquer alteração.

A Prefeitura, de forma ilegal, substituiu as pedras portuguesas por bloquetes

O tombamento da praça aconteceu em duas etapas, sendo a primeira pelo decreto 13 editado em 1998 e a segunda pelos decretos 35, 36, 37 e 39 editados em 2002, que constituíram o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Praça Cesário Alvim formado pela Escola Princesa Isabel, Fachada do Palácio do Bispo, Coreto Ronaldo Oliveira da Silva Araújo (Ronaldo Calazans), Catedral de São João Batista e a Praça Cesário Alvim.

Apesar do impedimento de alterações na praça, no ano passado, semanas antes de ser feita a decoração para o Natal, a Prefeitura de Caratinga tentou cobrir os buracos existentes na praça usando bloquetes de concreto em lugar das pedras portuguesas. A irregularidade foi contida pelo Compac, mas, em alguns pontos da praça são encontrados os bloquetes colocados pela administração municipal.

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