
Agência de risco alerta para aumento da dívida da Equatorial após compra da Copasa
A privatização da Copasa, concluída nesta semana com a aquisição de 30% do capital da companhia pelo grupo Equatorial por R$ 5,6 bilhões, já gerou repercussão no mercado financeiro. Um dia após a operação, a agência internacional de classificação de risco Fitch Ratings alterou de estável para negativa a perspectiva dos ratings da empresa.
Segundo a agência, a principal preocupação é o aumento do endividamento da Equatorial para financiar a aquisição da companhia mineira de saneamento. A expectativa é que a maior parte da operação seja custeada por meio de dívida, elevando a alavancagem financeira do grupo acima dos níveis considerados confortáveis pela própria Fitch.
De acordo com o relatório, a relação entre dívida líquida e geração de caixa operacional (EBITDA) deverá atingir 4,8 vezes em 2026 e permanecer em 4,6 vezes em 2027. O limite considerado adequado pela agência para manutenção da atual classificação é de 4,5 vezes.
A Fitch também observa que a aquisição ocorre em um período de forte volume de investimentos da Equatorial em suas concessionárias de energia elétrica. Com isso, a previsão é que a companhia mantenha fluxo de caixa livre negativo até pelo menos 2028, registrando déficits anuais próximos de R$ 2,7 bilhões em 2026 e 2027.
Apesar dos alertas, a agência reconhece que a entrada no setor de saneamento pode trazer benefícios estratégicos para o grupo. O segmento é considerado de baixa volatilidade e demanda estável, o que tende a ampliar e diversificar as fontes de receita da empresa no longo prazo.
Enquanto o governo de Minas Gerais comemora a conclusão da privatização da Copasa, considerada uma das maiores operações do setor de infraestrutura do estado, analistas do mercado financeiro acompanham os próximos passos da Equatorial para verificar sua capacidade de equilibrar os investimentos, a expansão dos negócios e o aumento da dívida decorrente da aquisição.



