
Trânsito em Caratinga: um crescente e insolúvel caos
O trânsito de Caratinga, que há décadas já apresentava sérios problemas, ano após ano transformou-se em um dos principais problemas de quem circula pela cidade, obrigado a enfrentar engarrafamentos constantes e filas intermináveis, especialmente nos horários de pico, além da ausência da necessária fiscalização. A tudo isso junta-se o constante aumento da frota de veículos.
Falta de planejamento
Infelizmente, contribui para o agravamento constante da situação, a falta de planejamento por parte da administração municipal que não se dispõe a promover um estudo aprofundado por empresa especializada e tampouco adota medidas que poderiam, ao menos, amenizar o caos instalado nas ruas e avenidas da cidade.
Apesar da Prefeitura de Caratinga contar com um departamento para cuidar exclusivamente do trânsito e o município contar com um órgão responsável pela organização do trânsito da cidade, a Caratrans, nada tem sido realizado no sentido de promover ações visando minorar o problema.
Diante da inércia dos órgãos responsáveis, as reclamações da população se multiplicam, diante de um cenário marcado por infrações recorrentes, com motoristas estacionando em fila dupla em pontos críticos; motociclistas avançando sinais e ignoram cruzamentos; ciclistas circulando na contramão ou sobre as calçadas e praças, enquanto os pedestres disputam espaço com os veículos sem a necessária segurança. A desordem e a falta de fiscalização transformaram o trânsito de Caratinga em um retrato de descaso.
Caratrans: órgão sem estrutura
Com poucos funcionários, recursos escassos e carência de profissionais especializados, a Caratrans, órgão criado exclusivamente para se responsabilizar pela orientação e organização do trânsito do município de Caratinga não consegue dar respostas efetivas aos muitos problemas, limitando-se a ações apenas paliativas. Com isso, a sensação é de completo abandono, enquanto a cidade cresce, a frota aumenta e o trânsito continua regido pelo improviso.
Um exemplo claro acontece no entroncamento conhecido como “Ponto Quente”, que conecta a Rua Marechal Floriano à Praça da Estação, Rua Lamartine e Rua Coronel Antônio da Silva (Rua Nova). A instalação de semáforos chegou a ser anunciada como solução, mas, na prática, os equipamentos foram desligados e permanecem apenas piscando, servindo mais como alerta do que como regulador de fluxo.
Propostas viáveis
O jornal A Semana entrou em contato com um ex-funcionário da Caratrans que, com base em sua experiência, apresentou várias medidas capazes de amenizar a crise do trânsito de Caratinga, abordando diversos pontos.

Agente de trânsito
Uma das sugestões é a criação do agente municipal de trânsito, para a qual existe uma lei aprovada pela Câmara Municipal, que contaria com uma equipe própria, capacitada para fiscalizar e organizar o tráfego, nos moldes das guardas municipais de trânsito existentes nas grandes cidades do País. Segundo ele, este seria o primeiro passo para coibir abusos e impor regras básicas de circulação.
Retorno da Faixa Azul
Outra proposta é o retorno da Faixa Azul nas ruas centrais da cidade, organizando o estacionamento na região central. Ele relata que, segundo estimativas, circulam diariamente cerca de 10 mil veículos no centro de Caratinga. Com a cobrança do estacionamento rotativo (Faixa Azul), esse número poderia cair em até 30%, reduzindo o fluxo para cerca de sete mil veículos. “A medida estimularia os moradores que residem próximos à região central da cidade a deixarem seus veículos em casa, ao invés de trazê-los para o centro da cidade”.
Caminhões pesados
Outra proposta se refere à limitação e regramento para a circulação de veículos de grande porte na região central da cidade. A sugestão é permitir que apenas caminhões de até quatro toneladas possam circular pelo centro da cidade em horário comercial. Os caminhões acima desse peso ficariam restritos ao período noturno – entre 19 e 07 horas. Para cargas urgentes, seria criado um ponto específico fora do centro para carga e descarga.
Aplicativos
Outro ponto destacado pelo ex-funcionário da Caratrans é a necessidade de se estabelecerem regras para os motoristas de aplicativos, com a definição de pontos de parada estratégicos. Isso evitaria aglomerações e congestionamentos, especialmente nas imediações de supermercados e áreas de grande movimentação e fluxo de veículos.
Empresa especializada
Por fim, ele aconselha a contratação de uma empresa especializada em gerenciamento de trânsito, o que considera uma medida essencial. Além de planejar a circulação de veículos, motos, ciclistas e pedestres, a empresa poderia conduzir campanhas educativas permanentes para conscientizar a população sobre a maneira correta de circular pelas ruas da cidade, sempre obedecendo as regras de trânsito, minimizando os riscos de acidentes.
Infelizmente, o caos persiste
Enquanto as propostas de soluções permanecem apenas no campo das ideias, a população de Caratinga continua sofrendo com um trânsito caótico, lento e perigoso. O crescimento da frota, somado à ausência de medidas estruturantes, coloca Caratinga em um cenário cada vez mais insustentável.
É um pensamento geral de que a cidade precisa por parte das autoridades de planejamento, investimento e coragem política para enfrentar os problemas do trânsito da cidade que, a cada dia, comprometem a qualidade de vida de quem é obrigado a circular pela cidade, seja pedestre ou condutor de veículo automotivo.



